Culturas
Manamiga: Portugal inaugura 1ª escola feminista

A primeira escola feminista abriu no início deste ano em Lisboa, Portugal. Chamado de Manamiga (um amálgama das palavras “amiga-irmã”), ela se inspirou em escolas feministas que existem em outros países. De acordo com informações, a ideia é que os cursos sejam ministrados tanto presencialmente quanto online. Além disso, que o espaço sirva não apenas como um local de aprendizagem, mas para compartilhar conhecimento.
Antes de tudo, espaços não faltam no Largo Residências, instalado no antigo quartel do Cabeço da Bola, em Lisboa, onde proliferam projetos artísticos, culturais e sociais. Foi lá que a escola feminista optou por instalar acampamentos para se beneficiar da rede de coletivos, que permitirá “formar uma comunidade” e “pensar juntos”. É o que aponta Valquíria Porto, formada em administração de empresas e especializada em comunicação e marca.
Fundadora explica a criação da escola feminista em Portugal
Em conversa com a “Lusa”, as fundadoras contam que o projeto surgiu de conversas e partilhas diárias reveladoras. Por exemplo, de “camadas de opressão, desigualdade e exploração” das mulheres, que nem sempre as percebem como tal. “Seja ela mais tênue ou mais acentuada, essa desigualdade, essa opressão é patente, existe e nós a vivenciamos no dia a dia”, aponta Marta Martins, gestora cultural e diretora executiva da Artemrede.
Além dos números “flagrantes” de violência doméstica, feminicídio, discriminação, desigualdade salarial, há “coisas” do cotidiano. “Não somos valorizados, ficamos calados, temos menos oportunidades de acesso a determinados espaços – espaços de poder, por exemplo”, reflete. É desse cotidiano de desigualdade e discriminação que ambas partem para defender uma educação feminista, que abra caminho para uma conscientização.
“Queremos que entendam que são feministas justamente porque são a favor da igualdade de gênero. O feminismo é uma atitude diante da vida, uma forma de imaginar um outro futuro, um futuro mais igualitário, mais justo, mais solidário. Isso vale para os homens , mulheres e pessoas não binárias”, enfatiza Marta Martins.